08 abril 2010

Meu sonho - Alvares de Azevedo

EU



Cavaleiro das armas escuras,
Onde vais pelas trevas impuras
Com a espada sanguenta na mão?
Porque brilham teus olhos ardentes
E gemidos nos lábios frementes
Vertem fogo do teu coração?



Cavaleiro, quem és? o remorso?
Do corcel te debruças no dorso....
E galopas do vale através...
Oh! da estrada acordando as poeiras
Não escutas gritar as caveiras
E morder-te o fantasma nos pés?



Onde vais pelas trevas impuras,
Cavaleiro das armas escuras,
Macilento qual morto na tumba?...
Tu escutas.... Na longa montanha
Um tropel teu galope acompanha?
E um clamor de vingança retumba?



Cavaleiro, quem és? — que mistério,
Quem te força da morte no império
Pela noite assombrada a vagar?



O FANTASMA



Sou o sonho de tua esperança,
Tua febre que nunca descansa,
O delírio que te há de matar!

04 abril 2010

"Clepsidra"

O Tempo. Grande juiz. Brinca de rio com a vida, que como o rio nasce de formas variadas, vem de lugares que nunca sabemos ao certo, passa por entre as mais belas matas e os mais secos desertos, horas cheios de peixes horas cheios de terra, ao encontrar um obstáculo sabe que o caminho mais curto é passar por ele, mas sempre desvia seu caminho e quando vê seu desenho, quer voltar e concertar algumas curvas, mas o tempo não permite e as curvas se aumentam e se sinuam a medida que o rio tenta voltar.

Mas o fim é certo e todo rio termina no mar e quando termina, vai para tantos lugares que nunca sabemos ao certo.
O Tempo vai nos fazer rir muitas vezes, vai nos fazer chorar muitas vezes, vai nos modificar muitas vezes, mas nós só vamos perceber tal importância quando ele estiver se esgotando.

O Tempo nos tira o que mais queremos quando menos esperamos e nos mostra o que mais odiamos quando estamos mais frágeis, nos toma quem mais amamos e coloca em nossas vidas pessoas que talvez nunca vamos conhecer, nos decepciona muitas vezes, nos mostra coisas que nem imaginamos, nos leva o que nem sabíamos que tínhamos.
Quando pensa que não há nada mais que o Tempo possa te tomar, ele te toma o dom de pensar. Se nada tens agradeça, o Tempo nada ira te tomar, mas se pouco tens não reclame, o pouco, o Tempo ainda vai levar.
Somos como peixes, por mais que nademos contra a correnteza, não mudamos o sentido do rio.

O Tempo é o grande juiz; ele te absolvera de seus erros e te condenara em seu tempo. Não acredite que verá os frutos de seus méritos e nem que não levará a culpa por erros que não são seus, isso fará o Tempo ser mais rude com você e nascerá um rancor pela Vida que ficará com você, mas a culpa não é dela. Só nos resta acreditar que o tempo é sábio, que tem um motivo, afinal, as coisas boas também precisam de tempo.